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COBERTOR CURTO

Publicado em 03/06/2012, 10:17 por Luiz Sergio Cunha

Quando entramos numa situação de marasmo, nada resta a fazer do que refletir.
A percepção de que estamos com um problema, vem da diferença entre o estado real e o desejado.
A solução de um problema passa por três vertentes distintas:
A primeira, muito comum aos preguiçosos e sem espírito de combate, se resolve simplesmente trazendo o estado desejado para o real, assim o problema deixa de existir, mas são cometidos alguns assassinatos; os dos sonhos, dos desejos e das vontades.
A segunda é muito comum a nossa cultura, o famoso jeitinho, no qual se avança um pouco com o estado desejado, se retrocede com o desejado e essa dualidade se encontra num ponto confortável, no qual se põe a cabeça no travesseiro e alguns conseguem até sonhar como se a missão tivesse sido satisfatoriamente cumprida.
A terceira é carregada de estoicismo e desenvolvida dentro de um planejamento espartano e só é atingida, quando o estado desejado se desloca até o desejado, sem que esse recue um centímetro de facilitação a esse encontro.
Temos todos nós, torcida, diretoria e equipe técnica, o sonho de tornarmos a ser campeões brasileiros, sendo esse o nosso estado desejado.
Digo campeonato brasileiro, porque a vaga para libertadores é consolo e como sonhar pequeno é mediocridade, já que vamos sonhar, nos coloquemos no topo da montanha, por que só de lá, o alcance visual é totalmente amplo.
O que temos hoje é um clube com uma dívida de quase 600 milhões e insolvente, pois nosso patrimônio não alcança esse valor, definido no mercado como um expositor de 2ª categoria, completamente dependente dos investidores, que sob ameaça de retirarem seus apoios, determinam o que fazer!!
Tivemos uma oportunidade de mudarmos essa situação, quando descemos para a segunda divisão e nessa situação, já que desgraça pouco é besteira, deveríamos qual fênix, renascermos das cinzas e começarmos a trilhar o caminho da auto-suficiência econômica, dentro de um planejamento adequado aquele momento, mudando hábitos e costumes, mas tal não se deu, pois a opção foi por uma disputa política sem sentido entre as correntes políticas atuantes e infelizmente antagônicas, a qual levou gregos e troianos a morrerem em duplo naufrágios, por terem estilhaçado a única bóia disponível, que provavelmente salvaria todos.
E ainda hoje, não satisfeitos, adeptos da soberba, do egoísmo e da vaidade, os poucos que conseguiram chegar a praia, teimam em colocar seus interesses particulares a frente daqueles vitais ao clube.
Não penso que para adentrarmos num caminho, embora muito espinhoso em seu início, mas verdejante de esperança mais adiante, tenhamos que voltar a segunda divisão, mas que a pacificação é o primeiro passo, para que possa ser elaborado um planejamento que leve o estado real ao desejado.
O primeiro passo é o controle financeiro e termos em conta que só temos compromisso com duas modalidades esportivas, as quais nos dão os sobrenomes, ou seja, FUTEBOL E REGATAS.
Qualquer outra modalidade e quantas mais existirem melhor será, passam por uma situação de renda própria, através de uma receita própria e não vejo problema nenhum a equipe de basquete ser patrocinada por uma empresa cuja logomarca estará em seu uniforme e outra modalidade patrocinada por outra empresa, também com sua logomarca em seu uniforme.
As modalidades que não conseguirem atingir essa condição devem ser suspensas em termos provisórios até que possam atingir sua independência financeira, mediante os patrocínios necessários.
O principal problema me parece ser as dívidas trabalhistas e deverá ser estipulada uma receita específica para sua gradativa amortização e na minha visão o mais viável seria o aumento do montante oriundo de um plano torcedor adequado, o qual incluísse o direito a voto e voltado não só para os habitantes da cidade do Rio de Janeiro, como de todo o Brasil.
O assunto é longo, apaixonante e polêmico, mas não podemos fugir dele, assassinando o nosso estado desejado e tão pouco dando jeitinho, compondo uma espécie de patchwork financeiro, que de qualquer forma será um cobertor curto, que agasalha os pés, deixa a cabeça completamente a descoberto.
Abraços,

LSCUNHA

Comentarios

  1. Postado por RonaldoFdeSouza em 04/06/2012, 7:52

    Caros amigos,

    Sem uma alteração estatutária, moldada de forma espartana, constituída de espartanos para estancar a ferida por onde escoam milhares de reais e, dentre outras, a criação de um plano de sócio torcedor com direito de votar nada acontecerá.

    Para a eliminação de gastos onde não há o retorno esperado torna-se necessário o desenvolvimento do plano de amortização a sua assustadora e crescente dívida e, para tanto, é urgente o aperto do cinto. Num desses pontos, teremos que rever a atuação, os custos e o retorno que os esportes amadores dão ao clube. A meu ver, aqueles que não tenham plano próprio para patrocínio e auto sustentação deverão ser eliminados. Não os considero culpados pela situação, mas sem expressão em épocas difíceis.

    A criação, de forma indiscutível de um plano de sócio torcedor com direito de votar torna-se imprescindível à oxigenação do futebol e a vida do clube.

    E todos, sem exceção, dependem única e exclusivamente da uma alteração estatutária, conforme assinalei na coluna UM SONHO.

    Já temos pronta essa alteração estatutária e, em breve, ela estará aqui nesse espaço para que todos possam analisa-la.

    De antemão sabemos que sofrerá inúmeras críticas, pois, é uma alteração altamente polemica e irá direta a dois pontos cruciais, a mudança no Sistema Político e, onde tudo acontece, o CONSELHO DELIBERATIVO.

    Em relação ao tema Sócio Torcedor, plano esse que está definido e também será colocado à disposição, ele está diretamente ligado a essa alteração estatutária, pois, sem a sua participação no Estatuto, de nada adiantará a sua criação, pois, não estando criado e homologado estatutariamente não terá validade.

    A minha opinião já foi abordada na coluna SOBRE AS CATEGORIAS DE SÓCIO CONTRIBUINTE E SÓCIO TORCEDOR.

    Abraço a todos, Ronaldo.

  2. Postado por Jose Franco em 04/06/2012, 0:54

    Cunha e Macau, assunto interessante e espinhoso, como disse Macau.

    A queda para segunda divisão só tem uma vantagem: explorar o lado emocional do torcedor. Pois todos que caíram e subiram em nenhum momento melhoraram a sua administração ou estrutura.

    No caso do Botafogo, alguns desportos foram suspensos, exatamente por causa da falta de recursos e déficit. E gerou algumas insatisfações nos associados e desde 2009 vários desportos voltaram as suas atividades e com isso aumentou o déficit anual e gerando uma dívida astronômica.

    O maior problema é que desde 2008 o Botafogo não supera os 60 milhões de receitas por ano e tem aumentado os seus gastos e o custo financeiro da dívida vem atormentando a instituição.

    A prioridade deveria ser no futebol, pois é o único desporto que pode trazer recursos financeiros. Mas parece que a prioridade são os desportos deficitários. E o Remo deveria ser o único a ser mantido, mesmo que deficitário.

    A coluna do Ronaldo (http://www.torcedorbotafoguense.com.br/site/um-sonho/) nos dá o caminho das pedras para o início da recuperação do Botafogo.

    O Botafogo precisa sair do discurso e implementar uma solução de longo prazo, amortizando as dívidas e conquistando campeonatos.

    Infelizmente, a atual diretoria está mais preocupada em dar desculpas pelo caos financeiro do que atacar o problema.

  3. Postado por Flavio Castro em 03/06/2012, 21:40

    Luis Sérgio Cunha,

    Taí um assunto espinhoso! Mas deve tirar o sono de muitos outros grandes times. Por isso, a solução também deve ser pensada em conjunto. Se ficar só dependendo da receita da TV, estaremos caminhando para uma situação como a da Espanha.

    Se o Botafogo não conseguir tirar mais recursos neste período em que o maracanã está fechado, imagine quando tiver a concorrência do maraca!

    Concordo com a ideia da auto-sustentação para os esportes alvinegros, exceto os do futebol e da regatas.

    SA

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